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Trinta por uma linha

Trinta por uma linha

Ainda a propósito da ambição

28.01.17 | António Mota

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Quem me acompanha sabe que sou um distraído de primeira. Perco chaves facilmente, engano-me nas salas de aula, esqueço-me do telemóvel, deixo o guarda-chuva na escola, esqueço-me de pagar o café. Tudo isto tem uma explicação muito simples, a minha mente anda sempre a mil, não consigo pensar devagar, nem pensar como quero, nem no que quero. O meu pensamento, talvez como o de toda a gente, é extremamente rebelde, não me obedece e faz o contrário do que eu quero. Penso muito em muita coisa ao mesmo tempo e estou constantemente a fazer associações e conclusões, muitas delas precipitadas.

Num desses momentos, em que estava a tentar relaxar com um pouco de música no spotify, dei de caras com uma música que vai, de certa forma, ao encontro do post que fiz sobre a ambição desmedida. Fez-se logo a ligação no pensamento e tive de escrever isto para o sossegar. Talvez a música represente até o outro extremo do que critiquei no outro post, mas não quis deixar passar em claro e, porque adorei a mensagem e a musicalidade, quis partilhar, letra e música.

 

Quero a vida pacata que acata o destino, sem desatino
Sem birra nem moça que só coça quando lhe da comichão
E á frente uma estrada não muito encurvada, atras a carroça
Grande e grossa que eu possa arrastar sem fazer pó no chão

E já agora a gravata com um nó que me ate, bem o pescoço
Para que o tremoço, almoço e o alvoroço demorem a entrar
Quero ter um sofá e no peito um crachá quero ser funcionário
Com um cargo honorário, carga de horário, conta picada

Vou dizer que sim ser assim a sim assinar a rir readers digest
Ágeis de sonho que desde rebento acalento em mim
Ter mulher fiel, filhos fado anel e lua de mel
Em frança abranda na dança
Descansado ate ao fim

Quero ter um T1 ter um cão e um gato e um fato escuro
Barbear o rosto pagar o imposto estou disposto a tanto
Quem sabe a miúde brindar a saúde com um copo de vinho
Saudar o vizinho acender uma vela, ao santo

Quero vida pacata, pataca gravada, sapato barato
Basta na boca uma sopa com pão, com cupão de desconto
Emprego sossego renego chamego e faço de conta
Fato janota gota na conta e nota de conta

Vou dizer que sim ser assim a sim assinar a rir readers digest
Ágeis de sonho que desde rebento acalento em mim
Ter mulher fiel filhos fado anel e lua de mel
Em frança abranda na dança
Descansado ate ao fim

Vou dizer que sim ser assim a sim assinar a rir readers digest
Ágeis de sonho que desde rebento acalento em mim
Ter mulher fiel filhos fado anel e lua de mel
Em frança abranda na dança
Descansado ate ao fim
 

 

 
 

2 comentários

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    António Mota

    28.01.17

    Vá lá, não acontece só comigo. Às vezes é bom, outras vezes nem tanto, mas quando não o é escrevinha-se alguma coisa que ele acalma.

    Bom fim de semana, Maria.
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